Origem

 
 
A utilização de robôs para gerar declarações de apoio em massa a Jair Bolsonaro nas redes sociais tem sido noticiada desde 2017, um ano antes das eleições para a Presidência da República. Mas, em abril de 2018, as suspeitas se agravaram a partir de uma denúncia feita pela revista VEJA. Nela, apontava-se o uso de robôs no impulsionamento de mensagens pró-Bolsonaro e de fake news por meio do aplicativo WhatsApp, possivelmente com o financiamento de empresários apoiadores do então candidato.
 
Diante de tal notícia, um grupo de bolsonaristas gravou um vídeo no qual todos imitavam robôs enquanto falavam a frase “Eu sou robô do Bolsonaro”. O vídeo viralizou no Facebook e Twitter, fazendo, inclusive, com que a brincadeira se tornasse uma piada sobre seus próprios criadores.
 
 

 
 

Difusão e repercussão

 
 
A partir de 2019, com o governo de Bolsonaro, esse meme ganhou mais força por conta de postagens idênticas feitas por pessoas diferentes, o que acusava o uso de robôs no levantamento de hashtags, até mesmo com erros de digitação. A repercussão do meme foi maior no Twitter, a rede com mais impulsionamento por bots.
 
Diversas foram as repercussões para hashtags com erros ortográficos e confusão com o ano, como “#FechadoComBolsonaroAte2016” (lançada em 2020) e “#NiguemDerrunaBolsonaro”. Muitos usuários brincaram com a possível reação de Carlos Bolsonaro (filho do Presidente e vereador da cidade do Rio de Janeiro), levando o famoso vídeo de abril de 2018 a ser repostado por apoiadores e opositores do presidente.
 
No Facebook, rede com muitos bolsonaristas, vários memes associam os apoiadores reais a robôs, além de outros retratando o próprio presidente como tal.
 
 

Gêneros e Formatos

 
 
No que diz respeito ao formato, há memes Bolsonaro-robô que são Faceswaps, imagens com uma sobreposição do rosto do presidente ao rosto de um robô, ou mesmo de alguns de seus apoiadores mais influentes. São também comuns os Exploitables, montagens de uma forma geral sem maior estética, sempre com referência ao tema supracitado.
 
Há ainda a presença de Catchphrases com o bordão “eu sou robô do Bolsonaro”, variando-se apenas as imagens de fundo.
 
É importante lembrar que o conceito de meme pode extrapolar a configuração clássica de imagem e se apresentar de outras formas. É o caso do meme em questão: são populares vídeos com paródias ridicularizando a frase “eu sou robô do Bolsonaro”, como aqueles que fazem menção à famosa série Stranger Things ou mesmo em referência ao Teleton, com a sobreposição de imagens e áudios.
 
 

 
 
 
 
Quanto ao gênero, pode-se dizer que, ao serem usados por bolsonaristas, funcionam mais como “memes de ação popular”, pois, instigam e chamam o interlocutor a entrar em determinados grupos ou aderir a comportamentos específicos. Já quando são “sequestrados” por grupos opositores têm o caráter de “memes de discussão pública”, pois se ancoram no humor para promover o debate político.
 
 

Exemplos Notáveis

 
 

 
 
Matheus O Incendiário do Parquinho
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About / Bio
Matheus, o incendiário do parquinho, é um jovem aluno do IFRJ Campus Niterói. Embora goste de ver o circo pegar fogo, é um cara legal. Seu apreço pelo caos faz com que sempre acompanhe a política brasileira. Costuma fingir que está lendo enquanto joga FIFA e também faz que estuda coisa séria, mas pesquisa memes no Laboratório de Cultura Digital (IFRJ-CNIT). AINDA não usa Crocs: algumas polêmicas são desnecessárias.

1 comentários

  1. Daniel Felipe Linhares dos Santos Silva disse:

    Excelente explicação! Uma aula sobre os memes e seu impacto na sociedade atual!

Comentários

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