Origem

 
Aparentemente, o registro mais antigo do termo LavaZap é uma publicação do dia 03 de fevereiro de 2017, na página humorística Essa Vai Pro Zap, no Facebook. A brincadeira proposta pela publicação é a de que os leitores e as leitoras estavam sendo investigados na operação LavaZap e por isso precisavam deixar o seu número de WhatsApp. Apesar de o termo ser claramente uma referência à operação Lava Jato, só em 2018 o meme ganhou sentido político.
 

Difusão e Repercussão

 
Surgido numa brincadeira com vistas à interação dos usuários de uma página humorística em 2017, o termo LavaZap adquiriu sentido e uso político em 18 de outubro de 2018, dez dias antes do segundo turno das eleições presidenciais, quando foi publicada pela Folha de São Paulo uma denúncia de doações de empresários para a compra de disparos automáticos de mensagens em massa no WhatsApp para difamar o candidato Fernando Haddad. Se comprovadas as doações não declaradas à Justiça Eleitoral, a chapa de Jair Bolsonaro seria impugnada e Haddad seria eleito presidente.
 
No mesmo dia, as hashtags #LavaZap, #Caixa2doBolsonaro e #Bolsolão ocuparam os primeiros lugares no Trending Topics do Twitter mundialmente. O então candidato Jair Bolsonaro não participou dos debates, segundo ele, para se recuperar da cirurgia após a facada. Entretanto, no mesmo dia 18 de outubro, Bolsonaro teve liberação médica para ir aos debates, aos quais não compareceu apesar de ter feito algumas lives e ter dado uma entrevista no mesmo período à Tv Record. Alguns memes tematizaram a não participação nos debates e o uso ilegal do WhatsApp. Nas mídias sociais, usuários cobraram a TV Globo por ter levado um dia para noticiar a denúncia. Apoiadores do candidato Bolsonaro publicaram fotos de si usando celulares com as hashtags #MarketeirosdoJair, tentando disputar o sentido do caso denunciado, como também da hashtag #Caixa2doBolsonaro, que originalmente apontava o financiamento eleitoral ilegal.
 
Em 2019 o termo Bolsolão também foi usado em outras denúncias como a compra de votos para a reforma da Previdência por via de liberação de verbas parlamentares e quando o deputado delegado Waldir denunciou que Jair Bolsonaro havia tentado comprar o apoio de deputados para afastá-lo da presidência do PSL para que o deputado Eduardo Bolsonaro fosse escolhido presidente do partido. #Caixa2doBolsonaro também foi utilizada em 2019 no caso conhecido como Laranjal do PSL.
 
Ainda em 2019, #LavaZap também foi usada junto de #VazaJato, que é como foi chamada a série de publicações iniciada pelo The Intercept contendo conversas entre o Juiz Sérgio Moro com o procurador da República Deltan Dallagnol e outros membros da força tarefa da Operação Lava Jato, através do aplicativo Telegram, enquanto decidiam os rumos da investigação.
 
Como podemos ver, o título adotado aqui, LavaZap, é uma escolha feita a partir da natureza e da cronologia dos fatos dos quais os memes tratam. O debate para a escolha entre o uso de LavaZap, Bolsolão ou Caixa2doBolsonaro iniciado nas eleições de 2018 permanece aberto. Tanto porque o humor e a abertura do debate costumam frequentar a internet quanto porque são frequentes as notícias de casos abrangidos pelo campo de sentido dos três termos em disputa.
 

Gênero & Formatos

 
Por buscar divulgar tanto bem humorada quanto clara e resumidamente informações sobre possíveis crimes eleitorais, temos aqui um meme de discussão pública no que diz respeito ao gênero. Quanto aos formatos, este meme se apresenta: em publicações nas mídias sociais como Twitter, Facebook e Instagram; em hashtag; em exploitables com imagens de Jair  Bolsonaro, Sérgio Moro e notícias; em quiz; votações para decidir o nome do meme; em vídeos; em charges; em notícias de jornais.
 

Exemplos Notáveis

 

 

 


 
Mohandas Garoto Cético do Terceiro Mundo
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Nome
Mohandas Souza
About / Bio
Iniciado nos mistérios filosóficos, mestre na arte da dúvida, Mohandas Garoto Cético Do Terceiro Mundo despertou de seu sonho dogmático ao conhecer David Depois Do Dentista e seu estranhamento da vida real na internet. Igual a São Tomé, preferiu ver para crer e buscou contato com estudos da cultura digital na graduação em Estudos de Mídia na UFF. Suspeita (sem ter certeza, é óbvio) que os memes são mais do que uma simples brincadeira digital. Ou não.
 

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