Origem

 
Desde seu surgimento em 1965, a Rede Globo, o maior veículo de comunicação do Brasil, sempre exerceu enorme influência dentro da sociedade brasileira, sendo marcada por um extenso histórico de controvérsias acerca da sua capacidade de manipular a opinião pública. De casos emblemáticos, como o apoio à ditadura militar, a postura em processos de impeachment e eleições de presidentes, passando pelo debate (ou da recusa ao debate) de temas mais amplos como reforma agrária, aborto, impostos, até a forma de abordagem das notícias cotidianas, a Globo teve suas atitudes notadas e julgadas ao longo da história. A partir de sua capacidade de impacto, incomparável a qualquer outro veículo de mídia nacional, criou-se a ideia, algumas vezes comprovada em pesquisas acadêmicas e propagada em discursos contrários à empresa, de uma manipulação promovida propositalmente pela emissora, simbolizada pela expressão “Isso a Globo não mostra”.
 
A frase normalmente vem acompanhada de uma exposição de notícias, acontecimentos ou situação que por algum motivo não são abordados pela emissora em seus programas e noticiários. Em 2019, a expressão ganhou uma nova utilização a partir de uma ressignificação promovida pela própria empresa. Contrariando uma posição tradicional e fora dos padrões comuns de abordagem, a Globo criou um quadro de humor, dentro do programa dominical “Fantástico”, utilizando a frase como nome do quadro, com o objetivo de rir de si mesma e de determinados assuntos. Dessa forma, ao utilizar imagens da programação da própria emissora, com uma linguagem mais próxima da internet e, principalmente, dos memes, muitas pessoas passaram a utilizar a frase “Isso a Globo não mostra” como uma estratégia de humor, não mais como crítica.
 

Difusão e Repercussão

 
O quadro “Isso a Globo não mostra” é um compilado de momentos inusitados da programação da Globo, com um formato que lembra o programa “Tá no ar” e uma ideia geral que remete à extinta atração “Passou na Tv”, do antigo “Agora é Tarde”, de Danilo Gentili, na Band. Além disso, o quadro utiliza certas inovações e diferenciais em relação aos outros programas de humor da TV brasileira, como o uso constante de um formato clássico de meme, o “image macro”, quando há a sobreposição de legendas características, geralmente utilizando a fonte Impact na cor branca e com bordas pretas bem demarcadas, sobre uma foto ou um vídeo. A presença de montagens com cenas de novelas, matérias jornalísticas, erros e cenas um tanto vergonhosas da história da Globo escancaram um lado mais humano da empresa de comunicação – e também um lado estrategista atento às tendências.
 
Um efeito do “Isso a Globo não mostra” é que a partir desse formato de espontaneidade, dentro da “linguagem da internet”, surge a possibilidade e a tentativa da criação de novos memes. Um caso que obteve êxito foi o meme dos “três reais”.
 
A repercussão do quadro a partir de seu surgimento foi imediata, mesmo sendo lançado sem promoção e de surpresa durante o “Fantástico”, ao tentar emular em sua abertura a invasão da programação da Rede Globo por hackers, como uma rádio pirata, ou um vírus de computador, visto que a emissora tradicionalmente não repercute brincadeiras e polêmicas com seu próprio conteúdo.
 
No Twitter, a hashtag #issoaglobonãomostra foi para o topo dos Trending Topics nacionais na primeira exibição do quado e conseguiu manter relevância constante nos domingos subsequentes. Como mostra o Google Trends, o crescimento da procura pelo termo foi grande no período a partir do dia 20 de janeiro de 2019, data de estreia do quadro, observada também nos domingos posteriores.
 

 
Todos os programas “Isso a Globo não mostra” estão disponíveis no YouTube
 

Gênero & Formatos

 
O meme pode ser enquadrado como uma “catchphrase”, quando a expressão “Isso a Globo não mostra” é replicada sem alteração. O formato “image macro”, quando há a adição de legendas sobre imagens, é recorrente como mostram as imagens na galeria abaixo.
 

Exemplos Notáveis

 

 
Percebe cavalo a Petulancia do Raphael
0 publicações
1 comentário
Nome
Raphael Monte Mór
About / Bio
Acostumado aos cavalos da roça, o Petulante Raphael veio se aventurar com os animais da internetê e os gênios da criatividade. Amante da sétima e das outras artes, de ambiente de música, da maromba crossfiteira, e ajudando o país tanto quanto os dançarinos do impeachment, é voluntário do projeto #MUSEUdeMEMES e aluno de graduação, em Estudos de Mídia, na UFF.

Comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *