#MeuPrimeiroAssédio

Origem

Em meados de 2014, uma pesquisa encomendada pelo coletivo feminista Think Olga constatou que entre oito mil mulheres entrevistadas, 98% já haviam sofrido assédio e 90% já haviam trocado de roupa por medo de serem abordadas nas ruas. Triste realidade? Mais triste ainda quando outra pesquisa, realizada no mesmo ano pelo IPEA, relata que 70% dos estupros acometem crianças e adolescentes.

É neste cenário que nasce a urgente campanha #MeuPrimeiroAssédio. Ela foi mobilizada através das redes sociais pelo Think Olga, após a estreia do Master Chef Jr., quando uma enxurrada de comentários pedófilos sobre uma das participantes chamaram atenção no Twitter.

 

 

Gênero & Formatos

Este que pode ser entendido como um Meme de Ação Popular (Shifman, 2014) ou de Ação Conectiva (2013), funcionou a partir do compartilhamento de relatos pessoais sobre assédio na infância e na adolescência. As mulheres os postavam em seus perfis nas redes sociais junto a hashtag #MeuPrimeiroAssédio. Em protestos como esse, a hashtag permite que os usuários acompanhem as discussões sobre os temas através da busca do site.

 

 

Gramática/Sintaxe

A campanha era exclusivamente para mulheres, havendo retaliações a homens que tentassem participar. De maneira geral, acompanhavam a tag histórias de assédio ou opiniões femininas sobre o tema.

 

 

Difusão e Repercussão

Esta foi uma das maiores campanhas feministas online que tivemos até agora, alcançando a marca dos 82 mil tweets. A experiência foi importada para diversos países da América, em especial o México, onde foi chamada de #MiPrimeraCoso, e os Estados Unidos através da hashtag #FirstTimeIWasCatCalled. Teve destaque em diversos grandes veículos de imprensa, inspirou o curta metragem O Mais Barulhento dos Silêncios, de Marccela Moreno, e é tida por alguns como a ação responsável por inspirar diversas outras intervenções feministas posteriores como #MeuPrimeiroAssédio, #MeuQueridoProfessor, etc.

Orgãos públicos apontam ainda que após estas iniciativas houve um aumento de 40% no número de denúncias a violência contra-mulher.

 

 

Exemplos notáveis

 

Bia Diferentona
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Bia Diferentona
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Enquanto espera o fim da era de Saturno, Bia Diferentona é mestranda pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFF. Típica aquariana, seu principal interesse de pesquisa são os movimentos políticos em redes sociais e, é claro, mamilos! (Mamilos são polêmicos, oras...)
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