BioGIFs

Os “GIFs biográficos”, “bio-GIFs” ou “GIF-homenagens” viraram tendência na internet para “homenagear” personalidades famosas, através de uma sequência de frames bem-humorada. O humor se expressa por meio da incongruência entre imagem e legenda, da ironização de aspectos da vida do homenageado, do uso de expressões típicas da sociabilidade virtual (“recalque”, “diva”, “humilha”), da escolha de figuras polêmicas, etc.

Origem

É difícil, se não impossível, determinar a origem precisa dos bioGIFs. Entretanto, tudo indica que o meme é brasileiro e a primeira biografada foi Britney Spears, em fevereiro de 2013. O site PapelPop foi um dos primeiros a publicizar a existência destes memes. Como pode ser observado, os GIFs que se sucederam tratavam de um nicho de figuras bem conhecidas, a saber: cantoras do cenário pop internacional.

Posteriormente esse nicho se expande e os bioGIFs abordarão pessoas dos mais diversos espaços. É curioso notar que, já nesse primeiro momento, surge um gif que parece ironizar os anteriores. Em meio às divas está a biografia de Gretchen. Enquanto as produções anteriores, ainda que com doses de humor, apresentavam um discurso direto de crítica ou enaltecimento, a narrativa sobre Gretchen é dúbia. São atribuídas à artista legendas como “Rainha do Pop”, “Mãe do pornô”, “Conhecida mundialmente” que mais parecem alfinetadas do que elogios.

Personagens Recorrentes

O site PapelPop escreveu uma segunda matéria sobre o tema no mês de maio de 2013. Aqui, notamos que a idéia adquiriu uma nova forma. Os primeiros gifs biográficos pareciam produzidos por fãs, com a intenção de exaltar um artista ou desmerecer seus rivais. Havia a preocupação clara em narrar fatos memoráveis da história do homenageado. Em um segundo momento, a escolha dos personagens, legendas e fotos parece se voltar mais para a produção de conteúdo humorístico.

Esta mudança reflete uma expansão do público consumidor e produtor dos bioGIFs. No momento inicial o interesse por determinado bioGIF estava diretamente relacionado com o interesse do consumidor pela vida e características do bioGIFado. No segundo momento, este interesse está associado ao desejo de consumir e produzir humor.

A compreensão dos bioGIFs exigem do receptor um conhecimento prévio sobre a personagem abordada. Outro fator de viralização é a escolha de sujeitos mais populares. Os bioGIFados de então são, em sua maioria, brasileiros em constante aparição nos grandes canais da mídia.

Paralelamente também começaram a ser produzidos diversos GIFs biográficos abordando figuras de outras áreas, como os personagens da série Game of Thrones. A brincadeira também se expandiu para figuras do futebol, jornalismo, política e até objetos inanimados como o chocolate “Bis” e a “Bunda do Hulk”.

É comum a apropriação de expressões e legendas utilizadas nos primeiros biogifs, que falavam das celebridades do pop. Porém em alguns casos, como no GIF de Renato Gaúcho, a linguagem já se difere bastante da original.

Segundo o site YouPIX, quando os bioGIFs surgiram ainda não tinham um nome definido. As descrições os chamam de “GIFs longos que mostram o curriculo dos artistas”. Aos poucos a inteligência coletiva começou a nomear este meme: GIF biográfico, bioGIF ou GIF-homenagem.

Atualmente encontramos GIFs biográficos sobre todo o tipo de personalidades. Ironizando a idéia inicial, alguns deles criam uma nova biografia para os personagens, trazendo elementos próprios da “zueira”, como o GIF de Jesus Cristo.

Gênero & Formatos

O formato dos GIFs biográficos é relativamente simples, não exige do produtor graus elevados de conhecimento técnico. É composto por uma série de frames com fotos, coletadas provavelmente na internet. Cada foto contém uma legenda/descrição. O papel da foto é, na maior parte dos casos, comprovar a afirmação da legenda. O humor é criado a partir da relação entre essas duas.

Apesar de abordarem diferentes personalidades, algumas legendas se repetem constantemente. “Não tem preconeito”, onde o bioGIFado aparece ao lado de um indivíduo de grupos “marginalizados”; “Tem amigos”, onde o bioGIFado aparece junto a outros famosos; “Rainha/Rei do …” onde o GIF narra a área de atuação do bioGIFado.

Outra semelhança entre os diversos bioGIFs é o uso dos verbos sempre na terceira pessoa do singular do presente do indicativo e o de gírias. A narrativa é assemelha-se a linguagem oral, muito mais do que a escrita.

Como os primeiros GIFs falavam de celebridades da música pop, algumas das expressões originárias foram perpetuada. Estas criam o humor ao serem associadas a figuras de nichos diferentes daqueles em que são tipicamente usadas. No bioGIF de Marcelo Rezende, âncora e jornalista criminal, aparecem as gírias “Divo”, “Recalque”, “Sensualiza” que se referem, costumeiramente, a mulheres consideradas belas.

Apesar de seu nome, os GIFs biográficos não necessariamente tem compromisso com uma descrição fiel da vida do bioGIFado. Ao contrário, muitas vezes a graça ocorre a partir da distorção entre o que é narrado e a realidade. Também é comum que sejam citadas características irrelevantes para uma biografia como “Sorri”, “Fica sério”.

Difusão e Repercussão

Os bioGIFs também foram usados por algumas marcas como estratégia de marketing. O chocolate “Bis” lançou em sua página do facebook seu próprio bioGIF intitulado “bisografia”. São atribuídas ao “Bis” ações e características de um ser-humano. O bisoGIF reproduz as linguagens da rede e pode ser confundido com um GIF produzido por um usuário normal. Alguns elementos permitem essa camuflagem. A legenda é colocada em cima da foto, como nos outros GIFs, sem muita preocupação com o contraste. O bisoGIF faz referência a elementos em alta na cultura pop como a música “Ah lelek”. As fotos são simples e criativas, poderiam ter sido feitas por qualquer pessoa ou até mesmo coletadas na internet. Por fim, o uso de filtros do instagram. É interessante notar como o sucesso desta apropriação está mais na compreensão do conteúdo dos bioGIFs do que no uso de recursos técnicos.

Outra marca a criar seu bioGIF foi o Restaurante América. Entretanto, o bioGIF deste estabelecimento foge muito ao padrão dos GIFs biográficos. Os desenhos são muito trabalhados. As legendas aparecem em destaque, afim de facilitar o entendimento do leitor. Há uma tentativa tímida de uso de termos joviais na expressão “tranquilão”. Outra dissonância é a linguagem usada para caracterizar o biogifado. No quadro “voador”, haveria mais proximidade dos bioGIFs criados por usuários se a legenda fosse “Voa”. Neste caso, ao contrário a marca Bis, o restaurante fez alto uso de recursos técnicos, porém, não compreendeu a linguagem da rede.

A príncipio os biogifs foram criados com a intenção de expressar de maneira bem-humorada sua admiração por uma celebridade, seja afirmando suas qualidades ou criticando seus rivais. Esse tipo de compartilhamento fortalece as noções de identidade em um grupo. Posteriormente, os bioGIFs se tornam, também, instrumento de crítica política (como no bioGIF de Marco Feliciano), religiosa (como no bioGIF de Jesus, feito por uma página de ateus), entre outros.

Exemplos Notáveis


* Trabalho apresentado na disciplina “Redes colaborativas e produção cultural” (2013.1) por alunos do curso de Estudos de Mídia.

1 comentários

  1. Renato Maia disse:

    o primeiro

Comentários

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