#MUSEUdeMEMES Entrevista: Dinofauvo Fanho

Você pode não ter percebido, mas o Dinofauvo Fanho é um dos personagens da fauna dinofáurica (ou dinofáuvica) na internet brasileira. Ele é primo do Dinofauro Azul, e, talvez por alguma condição genética similar, ambos têm o mesmo “probleminha” de dicção. Parecem a mesma “pessoa”, mas não são!

Enrico Kreusch, 18 anos, estudante de Letras Vernáculas da Universidade Estadual de Londrina, no Paraná, é o criador de uma das páginas de maior sucesso recente na comunidade de memes autorais de Facebook no Brasil, o Dinofauvo Fanho. Muito conhecido pela imagem nonsense de um brinquedo de dinossauro azul com um “pequeno problema” na mandíbula, o Dinofauvo é, na verdade, uma série de image macros ‐ algumas vezes em painel duplo, algumas vezes fazendo uso de montagens do tipo exploitable… ‐, publicados na página homônima por Enrico, que surgiu com outro nome, Dinofauro Fanho (repare no R, em vez do V). Se porque o grau de fanhice aumentou ou por razão de afirmação de propriedade intelectual, o Dinofauro Fanho se transformou em Dinofauvo Fanho, e, desde então, por vezes, ele também deixa de ser “azul” e passa a ser “laranja” em algumas postagens01.

As diferenças são sutis, mas, para bom entendendor meia palaffa bafta. O Dinofauvo tem hoje quase 80 mil seguidores, e uma história curiosa com relação ao seu surgimento. Muito jovem, Enrico fala com bastante naturalidade sobre questões que envolvem criatividade e propriedade intelectual, e dá pistas sobre seu próprio entendimento acerca do que faz. A entrevista que se segue foi realizada em julho de 2014, e traz perguntas muito similares ao bate-papo que o #MUSEUdeMEMES fez, à mesma época, com André Crevilaro, criador do Dinofauro Azul02. No mundo dos memes, diferentemente do que apregoa Darwin, há espaço para todos. Os dinossauros da internet que o digam!03


#MUSEUdeMEMES Quem nasceu primeiro? O Dinofauro Azul ou o Dinofauvo Fanho? E por que dois dinofauvos?
Dinofauvo Fanho Na realidade, quem nasceu primeiro foi o Tiranofauvo Motivacional, depois o Dinofauro e, na sequência, o Dinofauvo Fanho, com diferença de poucas horas. Essas três primeiras páginas são as únicas com conteúdos originais e que jamais roubaram conteúdo uma da outra. As que vieram depois tentam “roubar” o conteúdo e acabam misturando os memes de uma página com a outra, é por isso que sempre aplicamos nos memes com a marca oficial da página. Dá muito trabalho gerenciar uma página de humor com postagens diárias que demandam criatividade e sensibilidade, pra evitar sempre esbarrar numa outra semelhante!

#MUSEUdeMEMES De onde surgiu a inspiração para o Dinofauvo?
Dinofauvo Fanho O DinofauVo Fanho surgiu como DinofauRo Fanho, mas depois, numa conversa entre eu e meu colega André Crevilaro (um dos idealizadores da página “Dinofauro”), eu resolvi trocar uma das letras, pois a pagina dele tinha estourado e eles registraram o termo “Dinofauro” como criação deles. O André foi muito bacana, a gente pensou até em unir as páginas, mas depois, com a troca do nome, cada página manteve sua identidade sem conflitos.
A inspiração pro Dinofauvo surgiu de um grupo, no qual eu sou administrador, onde um amigo postou a foto do dinofauro aful (sem legenda) e eu pensei “por que não criar uma página sobre isso?”. Foi aí que surgiu o DinofauRo Fanho, que, em uma semana, já tinha alcance de mais de um milhão de pessoas no Facebook.

#MUSEUdeMEMES O Dinofauro Azul é azul e o Dinofauvo Fanho (às vezes) é laranja, é isso mesmo? Vocês dois são da mesma espécie?
Dinofauvo Fanho Eu e o André (Crevilaro) chegamos a idealizar uma “Familia Dinofauro”, onde um seria parente próximo do outro, mas isso antes de eu conseguir a solicitação pra mudar o nome da minha página, em respeito ao trabalho do meu colega! A gente se conhece pela internet, somos amigos no Facebook. Como nossas páginas são as que têm mais alcance e curtidas, é impossível não acompanhar o trabalho do Dinofauro, sempre respeitando o conteúdo, para evitar plágios.
O conteúdo do Dinofauvo Fanho é mais pop. Eu tento sempre aproximar as postagens com o que está acontecendo no mundo, como, por exemplo, a do “Charlie, Charlie”. Além disso, eu procuro criar interações entre os dinos, criando uma história em quadrinhos ou algo do tipo. No Dinofauvo Fanho, assim como no Dinofauro, também já fiz paródias de filmes, séries, programas de tv, só que inéditos e em maior quantidade. O importante é que o público de ambas as páginas sabe diferenciar um personagem do outro.

#MUSEUdeMEMES Mas o Dinofauvo é uma marca registrada?
Dinofauvo Fanho O registro está sendo requerido junto ao INPI. Não há problemas entre direitos autorais, pois a figura dos Dinos é pública, de propriedade da internet. Qualquer um pode veicular tanto o personagem azul quanto o laranja, desde que não aplique a nomenclatura oficial à imagem sem a nossa autorização.

#MUSEUdeMEMES Como o Dinofauvo sobrevive? De que ele se alimenta? Ele trabalha e ganha seu próprio dinheiro?
Dinofauvo Fanho O Dinofauvo sobrevive da criatividade. Eu gerencio a página mais por esporte do que por dinheiro, embora eu faça anúncios publicitários de todos os tipos. Estamos realizando uma parceria interessante com um estúdio de arte e muito em breve teremos o personagem Dinofauvo Fanho à venda na forma de brinquedo!

#MUSEUdeMEMES Existe uma gramática própria do dinofauvês? Ou a escrita é completamente livre?
Dinofauvo Fanho A escrita é democrática, mas, geralmente, troca-se o “P”, o “S” e o “T” pelo “F” e, às vezes, o “J” e o “R” pelo “V” ‐ eu disse às vezes! Alguns dinofãs se embaralham quando escrevem assim, mas, de vez em quando, pra que a frase fique legível e a graça seja espontânea, eu diminuo o grau de “fanhês” do personagem.

#MUSEUdeMEMES Você já recebeu críticas ao humor que cria?
Dinofauvo Fanho Olha, pouquíssima gente critica, quase ninguém, pelo menos nos comentários da minha página. Mas talvez seja resultado de uma postagem esclarecedora que eu fiz logo na primeira semana, quando houve o boom de curtidas. Eu publiquei uma foto da Pópis (personagem do programa Chaves) com a legenda “Fonta tufo fra fua mãe Fifo”, com um texto que eu considero divisor de águas, explicando que as piadas são restritas somente ao Dinofauvo e “caso você sofra algum tipo de violência não tenha medo de procurar ajuda”.

#MUSEUdeMEMES O Dinofauvo imaginava que ia ficar famoso da maneira que ficou? Ele tá sabendo lidar com os dinofãs?
Dinofauvo Fanho É muito bacana saber que você tem o carinho das pessoas pra continuar fazendo o que você faz. Eu fico impressionado com a quantidade de mensagens que eu recebo e o amor que as pessoas têm pelo personagem. A mais emocionante, pra mim, foi uma mulher que disse que tinha acabado de descobrir que estava com leucemia e que minha página era a única coisa confortante pra ela, porque mesmo sabendo da doença, ela esperava todo dia pelas postagens pra que pudesse sorrir. Quando eu recebi essa mensagem eu desabei em choro, e era logo numa fase em que eu tava pensando em desistir da página por motivos pessoais. Depois desse dia, eu realmente me toquei que fazia um bem efetivo pras pessoas, mesmo sem saber.

#MUSEUdeMEMES E com os dinohaters? Como lidar?
Dinofauvo Fanho O Dinofauvo adora responder os haters com mensagens de deboche. Eu juro que já tentei de tudo, mas esse Dinofauvo é malcriado…

#MUSEUdeMEMES Qual a sua opinião sobre o futuro dos dinossauros nas mídias sociais?
Dinofauvo Fanho Toda piada é efêmera, portanto, que seja boa enquanto dure!

 

Success Viktor
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About / Bio
Success Viktor é um jovem professor da Universidade Federal Fluminense que trabalha arduamente para motivar sua equipe. Membro associado do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital, é doutor em História, Política e Bens Culturais/Cpdoc-FGV, mas, pela carinha de novinho, é invariavelmente confundido com o menino Sam Griner, ou por vezes com um aluno. Ainda assim, tem procurado desenvolver pesquisas sérias e maduras relacionadas à economia política da informação e ao universo das culturas políticas na internet e do ativismo digital. E até aqui tem obtido resultados positivos. YES! VICTORY!
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Sobre Success Viktor

Success Viktor é um jovem professor da Universidade Federal Fluminense que trabalha arduamente para motivar sua equipe. Membro associado do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital, é doutor em História, Política e Bens Culturais/Cpdoc-FGV, mas, pela carinha de novinho, é invariavelmente confundido com o menino Sam Griner, ou por vezes com um aluno. Ainda assim, tem procurado desenvolver pesquisas sérias e maduras relacionadas à economia política da informação e ao universo das culturas políticas na internet e do ativismo digital. E até aqui tem obtido resultados positivos. YES! VICTORY! [email protected]